E falando de amores queridos leitores , platónicos ou não, hoje olhando para trás percebo que antigamente os amores eram tão mais fáceis, mesmo quando não eram correspondidos eram simplesmente puros e verdadeiros, sem segunda intenções, sem cobranças, sem ser um acordo. Era só amor e simplicidade. Nos dias que decorrem as pessoas demonstram não saber o que significa amar, e deturpam o significado da palavra com atitudes e ações inexplicáveis. Confundem paixão, desejo, sentimento de posse, ânsia por mais e mais com amor. Era tudo mais fácil se as pessoas aprendessem de uma vez por todas que o amor não se define, não se dita e sim se vive a cada dia. Amor de mãe, de pai, de irmão, de amigo, de colega, amor carnal, espiritual, tantos e diversos amores que até eu me confundo as vezes. Por mais que eu busque e procure o que realmente significa essa palavra vejo que jamais chegarei a sua essência. Por isso vivo cada dia como se fosse o último e agora aprendi e espero das pessoas apenas aquilo que eu também sei que posso oferecer de mim.
Diário de uma (im)perfeita |
sábado, 3 de dezembro de 2011
Memórias de uma vida, parte II
Mais tarde, nesse mesmo dia fui visitar Angel minha melhor amiga e confidente para lhe relatar os acontecimentos da minha tarde tão atribulada que tive, e é claro para contar aos pormenores os feitos extraordinários do herói do dia: Júnior. Como sempre lá estava ela no ponto de ónibus ao lado de casa a minha espera toda ansiosa para saber as novidades, vestindo uma saia vermelha com bolinhas amarelas, as ditas cujas que odeio tanto, e uma regata branca. Tinha que lhe falar de uma vez por todas desse senso que ela NÃO tinha para se vestir, porém por detrás deste desastre no vestuário encontrava se a pessoa mais sensata, inteligente, culta e descente que eu conhecerá até agora. Uma pessoa que eu sei que estava ali sempre que eu precisasse, que me dava os melhores conselhos e era a melhor de todas as pessoas desse mundo, meu anjo, minha tudona. Mal desci da lotação, Angel veio correndo ao meu encontro, - Então amiga conta tudo, como correu os estudos com o gato você se declarou ?!- ai que ela vinha sempre ao ponto da situação sem rodeios, e era disso que eu gostava tanto nela. Fomos para dentro de casa e por fim matei lhe a curiosidade contando tudo tim tim por tim tim da minha experiência quase amorosa que tive aquele dia. Sim, quase amorosa visto que meu amor (platónico) socorreu me das garras de uma bicicleta desgovernada assassina ! Por mais que queira esse episódio vai sempre marcar a minha vida, foi o dia em que o meu "príncipe" salvou me, mesmo sem ele o próprio saber que o era. Passado alguns anos voltei a reencontrá-lo num pub que Angel convenceu me a ir com ela para nos divertimos um pouco visto que nossas vidas estavam numa correria só. Mal entramos e logo reconheci-o, lá estava ele lindo como sempre, já devia ter formado uma família não sei , sei que possuía uma carreira sólida como treinador de uma das equipas favoritas do campeonato nacional, e mantinha aquele sorriso perfeito de sempre. Fui lhe cumprimentar, meia tímida e sem jeito como sempre, para minha surpresa Júnior não reconheceu me logo de inicio e admirou-se por aquela patinha feia da infância ter se tornado, segundo palavras do próprio, uma bela beldade. Passamos largos minutos conversando e relembrando momentos que passamos juntos anos atrás, e como é claro veio à tona a situação da bicicleta assassina - HAHAHAH - confessei lhe ali depois de tanto tempo o meu amor platónico que alimentei durante a infância. Parecia uma bobinha segredando com um amigo de longa data, e sentia me bem não sei porque. Aff'z ele sempre teve esse poder sobre minha pessoa, e eu odiava isso tanto quanto amava, o poder de me fazer sentir alguém de não ter receio de fazer as coisas e nesse caso era mais de dizer as coisas, e que coisas. Angel minha amiga, que nesse dia foi amiga da onça, vendo o nosso entrosamento arranjou logo uma desculpa e foi embora me deixando sozinha com o minha antiga e adormecida paixão. Bebemos um copo, dois, três e mal reparei estávamos mais para lá do que para cá. Como um cavalheiro que era, Júnior ofereceu se para me levar a casa, porém receosa do que supostamente poderia vir a acontecer neguei prontamente. Mal sabia eu que já era demasiado tarde e não conseguiria apanhar um táxi tão facilmente principalmente naquelas proximidades, azar ou sorte, pensei eu para mim mesma. Lá fomos então no carro dele até meu loft na baixa da cidade, não sei precisamente quanto tempo demoramos até chegar ao endereço que eu lhe apontei antes num guardanapo porque não tinha cabeça para memorizar o caminho, mas mal estacionamos como um íman nossos lábios se tocaram e pronto, foi o começo de uma longa e deliciosa noite de prazeres e loucuras que eu tanto sonhei outrora. No dia seguinte ainda meio acordada meio adormecida tento relembrar o que aconteceu na noite passada, se foi so um sonho ou se de fato eu dormi com o meu sonho de consumo. Viro me para o lado e vejo a cama vazia, pluft penso para mim mesma que nunca mais vou beber tantos copos seguidos com minha amigas, nem ficar bebada assim como o dia anterior, pois não queria voltar a ter o mesmo sonho, ou seria pesadelo ? Bem não sei, voltei a adormecer quando as 3h da tarde meu telefone toca e vai para a caixa de mensagens, logo reconheci a voz para meu desespero era Angel a perguntar como tinha corrido minha noite com o tal, mal ela diz isso desperto de vez sento me na cama com uma dor de cabeça do catano e tento novamente recordar o que se passou de verdade, olho de um lado para o outro o quarto todo desarrumado com roupas minhas espalhadas por tudo que é canto e sim alguma coisa se passou de muito sério pois eu estava completamente nua e costumo sempre dormir com meu blusão da kitty. Tento repor me aos bocadinhos e preparo me para me levantar, vou verificar meu telemóvel ver o que tenho agendado para hoje, e lembro me que era sábado. Ao lado na mesinha de cabeceira havia um bilhete - "Querida Laura, gostei muito de rever te espero que a noite que passamos fique para sempre nas suas lembranças que de certeza não esquecerei, até um dia desses". Não acreditei no que eu lia, realmente eu tinha passado a noite com o meu amor de infância num pub e sim tinhamos tido relações, o que eu não esperava era que ele fosse como todos os outros, e que eu seria apenas mais uma em sua vida amorosa ou melhor, na sua lista de "garotas que fiz sexo". Afinal não foi mais uma desilusão na minha vida, foi a desilusão. Será que um dia eu encontrarei realmente o amor ?! Foi a minha dúvida na altura e agora.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Memórias de uma vida, parte I
Laura Fontinelli
Tudo começou mal eu nasci. Dizem que os bebés entendem tudo o que veem a sua volta e comigo não poderia ter sido diferente. As vezes pego me pensando se eu nasci assim mesmo ou se foram as cicatrizes da minha existência que me moldaram de tal forma a que eu me transformasse na mulher (im)perfeita que sou. Chamo me Laura Fontinelli, estou na melhor fase da vida das mulheres com meus 30 anos, já vivi o suficiente para saber diferenciar o que é certo ou não fazer, mas no intimo do meu ser ainda sou aquela criança que corria pela rua de pés de calços atrás dos moleques da vizinha que se metiam comigo por eu ser magricela e usar aqueles horrendos óculos fundo de garrafa que me infernizaram a vida até minha adolescência, quando finalmente descobri as extraordinárias lentes de contato que abriram o mundo para mim e para a minha vida amorosa, o que já era de se esperar visto que ninguém olha para os extraterrestres ambulantes como eu era. Júnior era o tal. Rapaz alto, moreno com aqueles olhos amendoados profundos, com um sorriso encantador. Não se se me apaixonei por ele mal o vi pela primeira vez ou se foi a capacidade de me sentir alguém no meio de tanta gente e a sensação de felicidade que ele me emanava. Na escola toda gente gostava dele, as meninas babavam se, e os marmanjos admiravam-no, Júnior era o que qualquer pai, professor, amigo, namorada, enfim qualquer pessoa sonhava em ter ou ser. Certo dia estava eu na pracinha ao pé de casa com meus livros a espera dele para irmos a biblioteca fazer um trabalho para a disciplina de história, ele poderia ser bom em muitas coisas : atletismo, atividades extracurriculares, matemática, física, natação, o melhor do ano, porém se tinha uma coisa que ele não era nada bom era a essa disciplina, via se grego literalmente para manter sua média por causa da dita cuja, por outro lado eu era a melhor, desde sempre senti me intrigada e interessada pela nossa historia, sempre quis saber como aqui chegamos e de onde viemos, não é de se estranhar que eu eu era a crominha da turma contudo vamos continuar com o meu raciocínio antes que eu leve para outro lado o rumo da historia, ( sim caro leitores, eu sou a pessoa mais despaçarada que existe no mundo ou melhor na nossa galáxia ). Como eu ia dizendo, estava a espera do meu amor platonico, digamos assim, para irmos fazer um trabalho quando vem em minha direção uma bicicleta desgovernada toda lançada pronta para me matar, fecho os olhos e do nada fez se luz. Como se num flash estou no chão com meus livros todos espalhados e uma voz meiga dirige se a mim - Está tudo bem contigo Laura ? - era ele, eu senti meu coração palpitar desesperadamente, Junior estava ali, estou viva, ele me salvou era só o que eu pensava para mim mesma, como se fosse um anjo ele apareceu e todos os meus medos, meus anseios desapareceram como num ápice.
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