terça-feira, 29 de novembro de 2011

Memórias de uma vida, parte I

Laura Fontinelli

Tudo começou mal eu nasci. Dizem que os bebés entendem tudo o que veem a sua volta e comigo não poderia ter sido diferente. As vezes pego me pensando se eu nasci assim mesmo ou se foram as cicatrizes da minha existência que me moldaram de tal forma a que eu me transformasse na mulher (im)perfeita que sou. Chamo me Laura Fontinelli, estou na melhor fase da vida das mulheres com meus 30 anos, já vivi o suficiente para saber diferenciar o que é certo ou não fazer, mas no intimo do meu ser ainda sou aquela criança que corria pela rua de pés de calços atrás dos moleques da vizinha que se metiam comigo por eu ser magricela e usar aqueles horrendos óculos fundo de garrafa que me infernizaram a vida até minha adolescência, quando finalmente descobri as extraordinárias lentes de contato que abriram o mundo para mim e para a minha vida amorosa, o que já era de se esperar visto que ninguém olha para os extraterrestres ambulantes como eu era. Júnior era o tal. Rapaz alto, moreno com aqueles olhos amendoados profundos, com um sorriso encantador. Não se se me apaixonei por ele mal o vi pela primeira vez ou se foi a capacidade de me sentir alguém no meio de tanta gente e a sensação de felicidade que ele me emanava. Na escola toda gente gostava dele, as meninas babavam se, e os marmanjos admiravam-no, Júnior era o que qualquer pai, professor, amigo, namorada, enfim qualquer pessoa sonhava em ter ou ser. Certo dia estava eu na pracinha ao pé de casa com meus livros a espera dele para irmos a biblioteca fazer um trabalho para a disciplina de história, ele poderia ser bom em muitas coisas : atletismo, atividades extracurriculares, matemática, física, natação, o melhor do ano, porém se tinha uma coisa que ele não era nada bom era a essa disciplina, via se grego literalmente para manter sua média por causa da dita cuja, por outro lado eu era a melhor, desde sempre senti me intrigada e interessada pela nossa historia, sempre quis saber como aqui chegamos e de onde viemos, não é de se estranhar que eu eu era a crominha da turma contudo vamos continuar com o meu raciocínio antes que eu leve para outro lado o rumo da historia, ( sim caro leitores, eu sou a pessoa mais despaçarada que existe no mundo ou melhor na nossa galáxia ). Como eu ia dizendo, estava a espera do meu amor platonico, digamos assim, para irmos fazer um trabalho quando vem em minha direção uma bicicleta desgovernada toda lançada pronta para me matar, fecho os olhos e do nada fez se luz. Como se num flash estou no chão com meus livros todos espalhados e uma voz meiga dirige se a mim - Está tudo bem contigo Laura ? - era ele, eu senti meu coração palpitar desesperadamente, Junior estava ali, estou viva, ele me salvou era só o que eu pensava para mim mesma, como se fosse um anjo ele apareceu e todos os meus medos, meus anseios desapareceram como num ápice.